A ambígua relação mulher - dona de casa

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A feminilidade numa mulher é associada aos astros:

LUA é o lado da mulher como mãe, na perspectiva  "doméstica", dona-de-casa, "senhora", mãe-de-família. A Lua rege as seguintes actividades: culinária, costura, limpeza, enfermagem, pediatria, decoração... A Lua rege as formas redondas, inchadas, esféricas. A Lua é confortante, mas ela é chata....

VÉNUS é o lado da mulher como amante, namorada, amada, o lado sedutor, mulher fatal, o apelo sexual, seu poder de atração, a fêmea sexual. A Vênus rege as seguintes atividades: a música, a dança, as artes da sedução, a dança do ventre, a cosmética, a etiqueta social... A Vênus rege as formas esguias, elegantes, sinuosas, provocantes. A Vênus é atraente e desafiadora.

Ora, a mulher solteira, jovem, que namora, que é noiva, reflete toda a natureza venusiana, espelha-se nas amigas e colegas da mesma idade, segue a moda, está sempre actualizada, up-to-date, é romântica, naturalmente sensual, está sempre atraente, bonita, bem cuidada, cuida do corpo, pratica exercício físico, cuida das unhas, do cabelo, da pele, dos pés, etc. É com essa mulher que o homem se casa. Quando a mulher se casa, especialmente quando engravida e não trabalha fora nem estuda,transforma-se numa dona-de-casa. Começa a ficar inacreditavelmente parecida com a mãe dela!

Primeiro, fisicamente. Claro que a gravidez engorda: fica redonda. Aí já tem um problemazinho para os homens (que geralmente não são muito maduros): a mulher grávida e mãe parece que se transforma num templo sacrossanto intocável, algo assim como a Virgem Maria. O processo de gravidez torna o corpo da mulher "estranho" para o homem, a não ser que o homem seja muito bem resolvido. Mas uma vez que a mulher  transmuta-se para mãe, a transformação mais relevante para o relacionamento não é a mudança do corpo, porque essa dá pra reverter, dá pra emagrecer de novo, e apostar de novo em si própria, trabalhar para um bronze,  tirar aquela aparência leitosa e lunar; dá para exercitar pra tonificar os músculos que haviam ficado deselegantemente flácidos, e assim por diante. O problema maior está na transformação psicológica. A maioria das mulheres que vira mãe e dona-de-casa parece que incorpora a própria mãe. Os mesmos hábitos, as mesmas preocupações, as mesmasconversas e muitas vezes as mesmas roupas!

COMO CONVIVER COM ISSO: Quanto ao estranhamento que a gravidez causa no homem, é simples: façam amor durante a gravidez (sob orientação médica), até quando for possível, assim ele não vai perder a intimidade com o seu corpo, vai se acostumando com as transformações e vai até adorar.

Quanto à incorporação da mãe, é simples também: não permita que isso ocorra, você não é a sua mãe! Não precisa ser igual a ela, você pode e deve desenvolver o seu próprio estilo de cuidar da casa e dos filhos, de cozinhar e etc. Não se transforme numa dona-de-casa. Seja uma administradora, e administre também sua vida: sua cabeça, sua cultura, seu dinheiro e suas fontes de rendimento. Não deixe a sua mãe ou sogra ensinar como cuidar da casa e das crianças!

Lembre-se: ele se casou com você do jeito como você era, então não tente mudar, nem mesmo para agradá-lo. Não tente melhorar: se melhorar estraga... Não tente ser uma boa mãe dos filhos dele da maneira da sua mãe ou da maneira dele; seja uma boa mãe à sua maneira. Não tente ser uma boa dona-de-casa da maneira da sua mãe ou da maneira dele; seja uma boa administradora da casa da sua maneira. Ele não se casou com a sua mãe; ele não se casou com uma dona-de-casa.

Continue a ser, antes de tudo, a mulher dinâmica e sedutora com quem ele se casou, e manterá o amor dele.